Originalmente habitada por povos indígenas, a ilha de Cuba, a maior ilha do Caribe, foi colonizada pela Espanha e esteve sob seu domínio até 1898. Cuba foi um protetorado dos Estados Unidos (EUA) até 1902 e esteve sob a sua influência nas décadas seguintes. O atual sistema político cubano é legatário da Revolução Cubana de 1959, de caráter nacionalista, e da adesão do país ao socialismo em 1962. Atualmente, o governo cubano se esforça para “atualizar o modelo” de organização do país, tanto do ponto de vista político quanto econômico, sem, com isso, deixar de resguardar as características do regime socialista cubano e de preservar as conquistas sociais acumuladas.
Cuba é uma república presidencialista, com capital em Havana, que adota, como sistema de governo, o regime de partido único (Partido Comunista de Cuba) e de órgão supremo unicameral (Assembleia Nacional do Poder Popular). A República de Cuba é um dos treze países que formam a América insular no mar do Caribe.
Fulgêncio Batista ascendeu ao poder no contexto da Revolta dos Sargentos, de 1933, que culminou na derrubada do regime autoritário de Gerardo Machado. Entre 1933 e 1940, nomeou a si mesmo como chefe das Forças Armadas e passou a influenciar a "La Pentarquía", grupo de cinco presidentes civis "fantoches", entre os quais Ramón Grau.
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Batista foi eleito presidente de Cuba pela Coligação Socialista-Democrática, que envolvia o Partido Liberal, o Partido da União Nacionalista, a Associação Nacional Democrática e a União Revolucionária Comunista (que daria origem ao Partido Comunista de Cuba[1]). O apoio político emprestado pela URC a Batista levou à legalização não só do partido, mas também da Confederação de Trabalhadores Cubanos (CTC). Entre 1940 e 1944, Batista aprovou a Constituição de Cuba, considerada progressista, e cooperou com os Aliados durante o conflito mundial, declarando guerra aos países do Eixo. Durante o primeiro governo de Batista, em que pese o crescimento do descontentamento social e a condução econômica desastrosa, foram aprovadas leis trabalhistas e fortalecidos sindicatos. Ademais, em 1942, a Cuba de Batista estabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética.
Em 1952, após viver por uma década na Flórida, Batista retornou a Cuba para concorrer novamente à presidência; derrotado nas eleições, Batista articulou um golpe militar - que contou com o apoio dos Estados Unidos - contra o vencedor Carlos Prios Socarrás. De volta ao poder, suspendeu a Constituição de 1940 e revogou diversos direitos sociais, como o direito à greve. Seu governo ditatorial, que foi prontamente reconhecido pelos EUA, foi marcado por numerosas denúncias de corrupção e de associação criminosa com a máfia norte-americana para exploração de jogos de azar, casas de prostituição e tráfico de drogas.
Diferentemente de seu primeiro governo, o segundo governo de Batista caracterizou-se por forte anticomunismo. Em novembro de 1955, por influência direta de Washington, foi criado o Bureau de Repressão de Atividades Comunistas (BRAC), responsável por "reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos". Calcula-se que aproximadamente duas mil pessoas foram assassinadas pelas forças repressivas do regime, cujo modus operandi incluía tortura e execuções públicas. Isso recrudesceu a atuação política de movimentos estudantis e de profissionais liberais como Fidel Castro, então jovem advogado e ativista, que peticionou formalmente pela deposição de Batista perante cortes cubanas, sem sucesso. Descrente dos meios legais e formais para combater a ditadura vigente, Castro fundou uma organização paramilitar, originalmente chamada de "O Movimento", e logrou recrutar cerca de 1.200 homens, sobretudo da classe trabalhadora cubana.
A Revolução Cubana consolidou-se em 1º de janeiro de 1959, com a derrubada do governo de Fulgêncio Batista (1952-1959) e o estabelecimento de um governo revolucionário, liderado por Fidel Castro. A sublevação política que a antecede, contudo, iniciou-se em 1953, com a formação do Movimento 26 de Julho (M-26-7) e o malogrado episódio do assalto ao quartel Moncada[2], pelo qual Castro foi condenado a 20 anos de prisão. Em 1954, porém, diante de novo governo de Batista, foi concedida anistia a Fidel, que se exilou no México. Em novembro de 1956, contudo, Castro formou o "Exército Rebelde", junto a Ernesto "Che" Guevara, médico argentino que conhecera durante o exílio. Juntaram-se ao grupo também o irmão de Fidel Castro, Raúl Castro, e Juan Almeida Bosque.
Em 1956, de volta a Cuba a bordo do iate Granma, Fidel Castro e outros 82 guerrilheiros do M-26-7 foram recebidos a bala pelo governo de Batista e fugiram para Sierra Maestra, região montanhosa no sudeste de Cuba. Lá, iniciaram uma campanha de reorganização, recrutamento e conscientização revolucionária, angariando apoio junto à população campesina. À medida que a popularidade do M-26-7 aumentava, os demais partidos cubanos de esquerda perdiam parte de seus correligionários. Isso levou à crescente aproximação entre o M-26-7 e dois outros grupos, o Partido Socialista Popular (PSP) e o Diretório Revolucionário 13 de Março, fazendo desses três grupos os protagonistas da tomada de poder ocorrida em 1959. Batista deixou Cuba na véspera da chegada dos revolucionários a Havana, em 31 de dezembro de 1958, levando 40 milhões de dólares, e autoexilou-se na República Dominicana.
À vitória da revolução seguiu-se processo de nacionalização de propriedades e de empresas norte-americanas atuantes no território cubano. Em 1960, com a aproximação entre Fidel Castro e Nikita Kruschev, houve assinatura de acordo comercial entre Cuba e URSS, o que deteriorou ainda mais a relação com os EUA. Em setembro desse ano, foi decretado o embargo comercial a Cuba pelos Estados Unidos, e o governo estadunidense começou a financiar e treinar um grupo de exilados cubanos para derrubar o governo revolucionário.
Em janeiro de 1961, ao final do governo Eisenhower, os EUA declararam o rompimento de relações diplomáticas com Cuba[3] e fecharam sua embaixada em Havana. Em abril desse ano, já no governo Kennedy, um grupo de rebeldes armados e treinados pelos EUA para derrubar o governo de Fidel Castro tentou a fracassada invasão da baía dos Porcos. O ataque fazia parte da "Operação Mangusto", de caráter secreto, articulada pela CIA, e foi protagonizado pela chamada Brigada 2506, formada por exilados cubanos anticastristas. Malograda, a invasão resultou em baixas, prisões e execuções dos envolvidos.
Em dezembro de 1961, Fidel Castro declarou sua filiação ao marxismo-leninismo, o que motivou a convocação da VIII Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores das Américas (Punta del Este, janeiro de 1962), quando se aprovou a exclusão do governo de Cuba da participação no sistema interamericano. Segundo o historiador Ariel Dacal, a transição da revolução cubana para o socialismo "é um processo que deve ser visto por duas perspectivas, a dos interesses de Cuba e a dos interesses da União Soviética. À medida que cresce a pressão dos Estados Unidos para sufocar a revolução de qualquer maneira, Fidel vê a URSS como uma aliada, como um apoio econômico. E a União Soviética vê em Cuba uma tremenda oportunidade, porque Cuba está a mais de 9 mil quilômetros de Moscou, mas a apenas 150 quilômetros do principal inimigo da União Soviética".
Assim, de caráter original nacionalista, a revolução cubana só se tornou socialista a partir do final de 1961, com a aproximação da URSS, reflexo do tensionamento das relações com os EUA, sobretudo no governo Kennedy, no contexto da Guerra Fria.
Em outubro de 1962, foi deflagrada a Crise dos Mísseis, episódio provocado pela instalação de mísseis soviéticos em Cuba e no qual as superpotências bipolares estiveram mais próximas de um conflito nuclear, no contexto da Guerra Fria. Como desfecho, ficaram acordadas: (1) a retirada das armas soviéticas do território cubano e de mísseis americanos da região de fronteira entre Turquia e URSS e (2) a declaração pública dos estadunidenses de que não mais tentariam invadir Cuba caso não houvesse provocação direta.