Marcos: 1949: O Brasil foi o oitavo país do mundo e o primeiro latino-americano a reconhecer oficialmente o Estado sul-coreano; 1959: Estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul; 1963: Início da imigração coreana para o Brasil[1]; 1989: Estabelecimento da Comissão Mista Brasil-Coreia do Sul[2]; 1991: Visita do chanceler Francisco Rezek a Seul, ocasião na qual é assinado o Acordo de Cooperação em Ciência e Tecnologia; 1996: Estabelecimento do Mecanismo de Consultas Políticas[3]; 1996: Visita do presidente Kim Young-sam ao Brasil; 1999: Visita do primeiro-ministro Kim Jong-pil ao Brasil; 2001: Estabelecimento da “Parceria Especial para o Século XXI”.
Embaixada: Em 1962, foi aberta, no Rio de Janeiro, a primeira embaixada da Coreia do Sul na América Latina; a embaixada do Brasil em Seul foi aberta em 1965[4]. O Brasil não tem consulado na Coreia.
Coordenação Política
Instâncias: Mecanismo de Consultas Políticas (1996; 13ª e última reunião em Brasília, em 2023[5]), ****principal instância para a ampla discussão da agenda bilateral e de temas de política internacional; Fórum Brasil-Coreia; Comissão Mista de Ciência, Tecnologia e Inovação; Comitê Conjunto de Promoção de Comércio e Investimentos e Cooperação Industrial; Comitê Consultivo Agrícola (2005); e Mecanismo de Consultas sobre Recursos Energéticos e Minerais.
Visitas de Alto Nível: Em relação a eventos recentes, houve visita do primeiro-ministro Lee Nak-yon ao Brasil (2018, no contexto do 8° Fórum Mundial da Água) e visita do chanceler Aloysio Nunes à Coreia do Sul (2018), no contexto do lançamento das negociações comerciais Mercado Comum do Sul (MERCOSUL)-Coreia; encontro entre os chanceleres Ernesto Araújo e Kang Kyung-wha à margem do Fórum Econômico Mundial de Davos (2019); visita do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, a Seul, para participar do Fórum de Cooperação Digital Coreia-América Latina (2021). No começo da década passada, em 2011, o primeiro-ministro Kim Hwang-sik participou da cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff; em 2012, o presidente Lee Myung-bak participou da Rio+20; em 2015, a presidente Park Geun-hye realizou visita de Estado ao Brasil[6]. ****Na primeira década do século, os presidentes Fernando Henrique Cardoso (FHC, 2001) e Lula (2005, 2010[7]) visitaram a Coreia do Sul, enquanto os presidentes Roh Moo-hyun (2004) e Lee Myung-bak (2008) visitaram o Brasil. Houve, ademais, encontro bilateral entre os presidentes Lula e Lee Myung-bak à margem da Cúpula do G8 (2008, Hokkaido). O chanceler Mauro Vieira encontrou-se com seu homólogo Park Jin, à margem da cúpula do G7, em maio de 2023, quando trataram das negociações MERCOSUL-Coreia do Sul, da cooperação em ciência, tecnologia e inovação e de questões da agenda global, em áreas como paz e segurança, mudança do clima e transição energética. Em novembro de 2023, o vice-ministro para Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores da República da Coreia, embaixador Chung Byung-won, visitou o Brasil, quando se encontrou com a secretária-geral das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha, e copresidiu a 13ª Reunião de Consultas Brasil-Coreia com o secretário de Ásia e Pacífico, embaixador Eduardo Saboia. Em maio de 2024, o embaixador Eduardo Saboia, encontrou, em Seul, o primeiro vice-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kim Hong Kyun, o ministro-adjunto, Chung Byung-won, e o ministro-adjunto para Comércio, Yang Byeong-nae. Em julho, o chanceler Mauro Vieira reuniu-se, no Rio de Janeiro, com o vice-chanceler da Coreia do Sul, Ki-hwan Kweon, ocasião em que trataram de temas da agenda bilateral, do lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza do G20 e da reforma da governança global. Em setembro, Vieira reuniu-se com o chanceler coreano, Tae-yul, em Nova York, à margem da 79ª AGNU, ocasião em que trataram da agenda bilateral, com foco no relacionamento econômico-comercial, e de assuntos internacionais, como o desarmamento e a segurança na península Coreana, o G20 e a reforma da governança global. Em novembro, o presidente Yoon Suk-yeol visitou o Brasil, por ocasião da Cúpula do G20.
Discurso Oficial: O histórico recente das relações entre o Brasil e a Coreia do Sul distingue-se, sobretudo, pelo crescente fluxo de investimentos e comércio, bem como pelas perspectivas favoráveis na cooperação em ciência, tecnologia e inovação[8]. Há grande potencial de cooperação em setores como semicondutores, tecnologias da informação e das comunicações, biotecnologia e nanotecnologia. O diálogo entre Brasil e Coreia do Sul ocorre por meio de diversas instâncias, com destaque para o Mecanismo de Consultas Políticas, principal mecanismo para a discussão da agenda bilateral e de temas da política internacional. Os laços humanos também compõem importante dimensão do relacionamento, uma vez que o Brasil abriga expressiva comunidade de origem sul-coreana, resultado de um processo de imigração cujo marco inicial ocorreu há mais de 60 anos.
Convergências
Convergências Multilaterais: Há convergência de posições quanto ao respeito ao multilateralismo e à solução pacífica de controvérsias como pilares do sistema de governança internacional. Assim como o Brasil, a Coreia do Sul apoia a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ambos os países fazem parte do Acordo de Paris[9] e conferem grande importância ao tema ambiental, tendo o presidente Lee Myung-bak participado da Conferência Rio+20. A Coreia do Sul é, ademais, parte do Estatuto de Roma. Em relação a divergências na esfera multilateral, a Coreia do Sul não apoiou o Tratado para a Proibição das Armas Nucleares (TPAN), apesar de coabitar a península coreana com a Coreia do Norte. Os países também divergem em questões agrícolas (a Coreia do Sul é integrante do G10, agrupamento de países protecionistas).
Convergências Plurilaterais: Há apoio coreano à acessão brasileira à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Brasil e Coreia fazem parte do G20. Na OMC, ambos integram o Grupo de Ottawa. A Coreia do Sul é integrante do Unidos pelo Consenso nas discussões sobre reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidos (CSNU) e não apoia o G4.
Segurança e Defesa: Há Acordo sobre cooperação em defesa (2006), que compreende as áreas de indústria de defesa, intercâmbio de tecnologia militar, educação e treinamento militar, assistência humanitária, entre outros temas.
Comércio
Marcos: Brasil e Coreia do Sul contam com Acordo de Comércio (1963) e com o Comitê Conjunto de Promoção de Comércio e Investimentos e Cooperação Industrial (2008). Há expectativa de diversificação e aumento do comércio entre o Brasil e o país asiático, por meio da assinatura do Acordo MERCOSUL-Coreia do Sul, ****cujas negociações foram lançadas em maio de 2018, em Seul, na presença do ex-chanceler Aloysio Nunes. Para além da redução tarifária, as negociações envolvem temas como medidas sanitárias e fitossanitárias, comércio eletrônico e compras governamentais. Em abril de 2024, o governo da Coreia do Sul abriu o mercado do país às exportações brasileiras de subprodutos de origem animal (farinhas e gorduras de aves) destinados à alimentação animal e de dez produtos à base de camarão. Em junho de 2024, a Coreia do Sul abriu seu mercado às exportações brasileiras de gordura e de proteínas processadas de suínos destinadas à alimentação animal. Em julho, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, abriu o Fórum de Comércio e Inovação Coreia do Sul-América Latina. Em setembro, a Coreia abriu seu mercado para a importação de erva-mate, flor seca de cravo da Índia, fibra de coco, farelo de mandioca, feno, polpa cítrica desidratada e fruto seco de macadâmia provenientes do Brasil.






Desafios: Embora os dois países possuam grande complementaridade econômica, o comércio permanece aquém do potencial, na medida em que as carnes suínas e bovinas brasileiras enfrentam barreiras aduaneiras e sanitárias, além da concorrência de outros países agroexportadores com os quais a Coreia do Sul mantém acordos de livre comércio. Em 2019, o governo brasileiro manifestou satisfação em relação à conclusão de investigação, realizada pela Coreia do Sul, relativa a papel não revestido, sem adoção de nenhuma sobretaxa.
Investimentos: Nos últimos anos, houve aumento expressivo dos investimentos sul-coreanos no Brasil, especialmente nos setores eletrônico, automobilístico, petrolífero e siderúrgico. O estoque de investimentos sul-coreanos no Brasil é de cerca de US$ 6 bilhões, com fluxo de US$ 454 milhões em 2017 e de US$ 343 milhões em 2018. Há destaque para a atuação de empresas como a Hyundai, a Samsung e a LG. Dentre os investimentos mais emblemáticos nos últimos anos, figuram a parceria POSCO-Vale, na Companhia Siderúrgica do Pecém, e a instalação da fábrica de semicondutores HT Micron, uma joint venture entre a sul-coreana Hana-Micron e a brasileira Altus/Parit, no parque tecnológico da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Em 1984, firmou-se o acordo para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal. Em 1995, foi a vez do acordo de promoção e proteção recíproca de investimentos, que jamais foi aprovado pelo Congresso brasileiro e encontra-se superado.