Marcos: 1904: Estabelecimento de relações bilaterais, após o Panamá tornar-se independente da Colômbia; 1956: Primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Panamá, com a viagem do então presidente Juscelino Kubistchek; 1989: Condenação brasileira do uso da força, após a invasão do Panamá pelos Estados Unidos da América (EUA); 2000: Assinatura do Memorando de Entendimento para Estabelecer Consultas Políticas entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Panamá; 2010: Instalação de um escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Américas, na “Cidade do Saber”[1]; 2020: Realização da I Reunião do Mecanismo de Consultas Políticas; 2024: Concessão ao Panamá do status Estado Associado do MERCOSUL, o primeiro entre os países centro-americanos.

Embaixada: Em 1906, foi criada a Legação do Brasil em Cuba, responsável cumulativamente pelo Panamá. A partir de 1937, a cumulatividade passou para a Guatemala. Em 1943, passou a haver uma legação residente própria no Panamá, tendo sido elevada à categoria de embaixada em 1953. O Panamá possui uma embaixada em Brasília e consulados-gerais em São Paulo e Rio de Janeiro.

Coordenação Política

Instâncias: Mecanismo de Consultas Políticas, estabelecido em 2000, em nível de vice-chanceleres (primeira reunião em 2020); Grupo Parlamentar Brasil-Panamá, estabelecido pelo Senado Federal brasileiro, em 2019; e Grupo Interparlamentar de Amizade com o Brasil, criado pela Assembleia Nacional do Panamá, em 2021.

Visitas de Alto Nível: A baixa densidade da cooperação política entre ambos os países se reflete nos poucos encontros e visitas bilaterais em nível presidencial e ministerial. A primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Panamá ocorreu em 1956, com a viagem do então presidente Juscelino Kubistchek, na esteira das comemorações do 130º aniversário do Congresso Anfictiônico[2]. Nos últimos anos, ocorreram trocas de visitas pontuais. Em 2002, houve visita do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o país. Em 2015, ocorreu a última visita de um presidente brasileiro, com a ida de Dilma Rousseff à Cidade do Panamá, no contexto da realização da VII Cúpula das Américas. Do lado panamenho, em nível de chefes de Estado, destacam-se as viagens de Mireya Moscoso (2001) e de Martín Torrijos (2007 e 2008). Em 2024, após a 64ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, em Assunção. Em nível de chanceleres, Antonio de Aguiar Patriota (2011), Luiz Alberto Figueiredo Machado (2013) e Mauro Vieira (2015) visitaram o Panamá. Em 2018, os chanceleres Aloysio Nunes Ferreira e Isabel de Saint Malo mantiveram encontro à margem do Foro Econômico Mundial. Em 2021, o chanceler Carlos França reuniu-se com a ministra Erika Mouynes à margem da posse do presidente do Peru, Pedro Castillo. Mais recentemente, em setembro de 2024, o chanceler Javier Martínez-Acha Vásquez visitou o Brasil, acompanhado dos ministros do Comércio e Indústria, Julio Moltó, e do Desenvolvimento Agropecuário, Roberto Linares, a fim de tratar de temas da agenda econômica bilateral, como a aproximação do Panamá com o MERCOSUL, a negociação de um ACFI bilateral, a integração latino-americana e a coordenação de posições em foros regionais e multilaterais.

Discurso Oficial: O Brasil e o Panamá comemoraram 120 anos de relações diplomáticas em 2024. Apesar das relações serem marcadas pela pouca densidade, são tradicionalmente amistosas e apresentam grande potencial de adensamento. Apesar da queda da população brasileira no país, o aumento da relevância internacional e regional do Panamá, além de seu dinamismo econômico ao longo da última década, justificam o fortalecimento do diálogo, a diversificação das relações bilaterais, e o interesse de empresas brasileiras em projetos no país centro-americano. Nos últimos anos, as chancelarias têm-se empenhado na criação de uma agenda positiva com a retomada do diálogo político bilateral, assim como das atividades de cooperação técnica. Os dois países examinam ainda iniciativas concretas para dinamizar os fluxos de comércio e de investimento. Há oportunidades para dinamizar a cooperação bilateral em áreas de interesse prioritário do governo do Panamá, como genética bovina, segurança alimentar e economia agrária de maneira geral.

Convergências

Convergências Multilaterais: Há boa coincidência de posições entre o Brasil e o Panamá[3], com apoio mútuo na indicação de candidatos para organismos e foros multilaterais. O Panamá integra a mesma constituency do Brasil no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Convergências Regionais: Brasil e Panamá são membros da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). Em dezembro de 2024, por ocasião da 65ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), o Panamá se tornou o primeiro Estado Associado do MERCOSUL entre os países centro-americanos, com a assinatura do Acordo de Complementação Econômica 76 (ACE-76), do Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático e da Declaração Presidencial sobre Compromisso Democrático. A condição de Estado Associado permite ao Panamá acessar o portfólio de acordos bilaterais e regionais do MERCOSUL, ampliando sua integração com o bloco. Por sua vez, o Brasil é observador regional do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA) desde 2008, um organismo que reúne todos os países da América Central.

Segurança e Defesa: Em 2001, houve a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e a Unidad de Análisis Financiero (UAF) Concernente à Cooperação na troca de Informações Financeiras Relativas ao Combate à Lavagem de Dinheiro[4]. No mesmo ano, foi assinado o Acordo de Cooperação no Campo da Luta Contra o Crime Organizado (2001). No início de 2025, o país centro-americano anunciou ter decidido comprar aviões de combate da Embraer.

Comércio

Marcos: Ao longo da última década, o Panamá foi o país de crescimento mais acelerado da América Latina, o que despertou o interesse da comunidade empresarial brasileira. A proximidade geográfica, as afinidades culturais, os laços bilaterais bem estabelecidos, além da própria condição do Panamá como centro logístico estratégico favorecem a ampliação das trocas bilaterais. No âmbito do comércio bilateral, destaca-se a existência de um acordo de preferências tarifárias entre o Brasil e o Panamá no âmbito da ALADI, formalizado pela internalização do Protocolo de Adesão da República do Panamá ao Acordo de Preferência Tarifária Regional (APTR) 04[5] em 2017. Em 2016, a Embaixada brasileira criou a Câmara de Comércio Brasil-Panamá. Em agosto de 2024, o Panamá autorizou a importação do Brasil de carnes e miúdos de aves e de suínos. Mais recentemente, em dezembro de 2024, o Panamá assinou o ACE-76 com os Estados Partes do MERCOSUL, voltado a expandir o intercâmbio comercial entre as Partes.  Em 2024, o Panamá foi o principal parceiro comercial do Brasil na América Central[6], além do segundo maior destino das exportações brasileiras para a América Central e Caribe. Atualmente, o país representa 35% das exportações brasileiras à América Central.

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Desafios: Um dos principais desafios no comércio bilateral é diversificação na pauta exportadora. Conforme a ApexBrasil, há oportunidades comerciais para os setores de máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos e relacionados, alimentos e bebidas, e combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados. Atualmente, mais da meta das exportações panamenhas originam-se de parceiros comerciais, a exemplo da China, EUA, UE e México. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do país.

Investimentos: Em anos recentes, os Brasil e Panamá desenvolveram significativos laços de investimentos. Nos últimos anos, o Brasil chegou a ter estande próprio nas três principais feiras realizadas na Cidade do Panamá: ExpoComer, ExpoTurismo; e ExpoLogística. Com a pandemia de Covid-19, as agendas passaram por desaceleração, com o adiamento dos eventos agendados. Em 2024, tanto o Brasil quanto o Panamá assinaram o Acordo sobre Facilitação de Investimentos para o Desenvolvimento (AFID) da OMC.