Marcos: 1836: Estabelecimento de relações diplomáticas; no contexto da Guerra do Paraguai: ensaios de aproximação, por meio da troca de representantes de alto nível[1]; 1879-1883: Brasil mantém posição de neutralidade durante a Guerra do Pacífico[2]; 1914: Brasil, Chile e Argentina participam da Conferência de Niagara Falls, para mediação concernente ao conflito entre México e Estados Unidos (EUA); 1915: Assinatura do Pacto ABC, não referendado pelo parlamento chileno; 1933: Assinatura do Tratado Antibélico de Não Agressão e de Conciliação (“Pacto Saavedra Lamas”), entre Brasil, Argentina, Chile, México, Paraguai e Uruguai; 1942: Protocolo de Paz entre Peru e Equador, com a atuação de Brasil, Argentina, Chile e EUA como países garantes do acordo; 1962: Abstenção de Brasil e Chile, além de Argentina, México, Bolívia e Equador, em relação à proposta de exclusão de Cuba da OEA (outer six); 1963: O presidente João Goulart realiza a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Chile; 1964-1973: Significativo número de militantes de esquerda buscam asilo no país vizinho, em meio à conjuntura de ditadura militar no Brasil; 1980: Figueiredo visita o Chile, ocasião na qual são celebrados 9 acordos de cooperação e uma declaração conjunta; 1996: Chile torna-se Estado Associado ao Mercado Comum do Sul (MERCOSUL); 2004: Início da participação do Chile, em conjunto com o Brasil, no âmbito da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH); 2006: “Aliança Renovada”, com posições coincidentes em favor da democracia e das liberdades individuais e comerciais; 2007: Brasil, Chile e Bolívia comprometem-se com a inauguração do corredor interoceânico Santos-Corumbá-Santa Cruz de la Sierra-Arica-Iquique, no contexto do encontro presidencial trilateral em La Paz; 2010: Criação da Comissão Bilateral Brasil-Chile; 2018: Conclusão das Negociações do Acordo de Livre Comércio entre Brasil e Chile.
Embaixada: Em 1922, houve a elevação das legações dos dois países à categoria de embaixadas[3]. O Brasil mantém, ademais, consulado-geral em Santiago. O Chile tem consulados-gerais no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre.
Coordenação Política
Instâncias: Comissão Bilateral Brasil-Chile (2009; cuja primeira reunião foi em 2010 e a sexta e mais recente reunião ocorreu em 2024); Diálogo Político-Militar (“Mecanismo 2+2”, 2018).
Visitas de Alto Nível: Os presidentes Lula (2004, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010), Dilma (2013, 2014 e 2016) e Temer (2018). Houve troca de visitas entre Bolsonaro e Piñera em 2019, apesar de elogios a Pinochet. Em agosto de 2021, o chanceler chileno Andrés Allamand esteve em Brasília, cumprindo agenda política com o chanceler Carlos França e os presidentes das casas do Legislativo brasileiro. Em março de 2022, o vice-presidente Hamilton Mourão esteve presente na cerimônia de posse do presidente Gabriel Borić, em Santiago e Valparaíso. Em janeiro de 2023, houve a visita do presidente Gabriel Borić para a posse de Lula. Borić voltou ao Brasil em maio para a cúpula de presidentes da América do Sul. Em outubro, Lula e Borić conversaram ao telefone, ocasião em que reafirmaram as boas relações entre os dois países, falaram sobre a conjuntura da América do Sul e trataram da situação em Israel e na Palestina, e suas consequências trágicas para a população civil. Em novembro, o ministro chileno da Defesa e a subsecretária de Relações Exteriores do Chile estiveram em Brasília, para a III Reunião de Diálogo Político-Militar Brasil-Chile. Em paralelo, a secretária-geral, embaixadora Maria Laura da Rocha, recebeu sua homóloga chilena, a subsecretária de Relações Exteriores, para tratar de temas como integração sul-americana, comércio e investimentos e promoção da igualdade de gênero. Em janeiro de 2024, o ministro das relações exteriores Mauro Vieira realizou visita a Santiago, com o objetivo de participar da VI Reunião da Comissão Bilateral Brasil-Chile e da reunião preparatória latino-americana para a 13ª Conferência Ministerial (MC13, na sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC), tendo retornado à capital chilena no mês seguinte, para representar o País nas cerimônias fúnebres do ex-presidente Sebastián Piñera. Em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou visita de Estado ao Chile, acompanhado de comitiva ministerial, ocasião em que se encontrou com os presidentes dos demais poderes e com a prefeita de Santiago e em que foram firmados quase duas dezenas de acordos bilaterais. Em novembro, o presidente Borić foi ao Brasil, como convidado da Cúpula do G20, ocasião em que foi realizado, à margem, encontro com Lula, Petro e Sheinbaum. Borić também participou do U20 Summit. Em dezembro, o chanceler Mauro Vieira encontrou-se com seu homólogo Alberto Klaveren em Santiago, à margem da reunião ministerial do processo Cartagena+40.
Discurso Oficial: As relações entre Brasil e Chile caracterizam-se pela intensidade e pelo dinamismo do intercâmbio comercial e empresarial. Na coordenação política, área em que ambos os países têm aprofundado sua articulação, o bom entendimento e a adoção de posições comuns têm sido frequentes tanto no âmbito regional quanto no multilateral. Os investimentos bilaterais crescem ano a ano, beneficiando as economias e as sociedades dos dois países. O Chile é parceiro fundamental do Brasil no âmbito sul-americano, contexto no qual ambos os países têm interesse comum no aprimoramento da infraestrutura regional. Há, ademais, importante potencial de cooperação em ciência e tecnologia, cooperação na Antártida e em matéria de defesa. Durante a visita de Estado do presidente Lula, em agosto de 2024, foi anunciado que 22 de abril – data em que as relações diplomáticas foram estabelecidas, em 1836 –, passou a ser o Dia da Amizade Brasil-Chile.
Convergências
Convergências Multilaterais: O Chile é atualmente um dos representantes do grupo geográfico da América Latina e Caribe (GRULAC) no âmbito do Conselho de Direitos Humanos (CDH), com mandato até 2025. Brasil e Chile, juntamente com Argentina e México, emitiram comunicado, em fevereiro de 2023, em que manifestam profunda preocupação com a decisão do governo israelense de expandir os assentamentos na Cisjordânia. Os países expressaram oposição a qualquer ação que comprometa a solução de dois Estados. Em novembro de 2024, Brasil, Chile, Colômbia e México emitiram comunicado conjunto conclamando a que se evite uma escalada no conflito russo-ucraniano. O Brasil apoia a candidatura de Valparaíso para ser a sede do Secretariado do Acordo sobre conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas além da jurisdição nacional (BBNJ, na sigla em inglês).
Convergências Regionais: No âmbito regional, ambos os países convergem na análise de que as iniciativas de integração econômica regional são convergentes e apoiam o diálogo entre Aliança do Pacífico (AP) e Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), no qual o Chile tem status de Estado Associado. Havia concertação sobre a crise venezuelana no Foro para o Progresso e Integração da América Latina (PROSUL), no Grupo de Lima e – o que foi alterado em termos de foro com a mudança de governos para a esquerda em ambos os países, quando ambos se desengajaram dos dois foros – e no Processo de Quito. Ambos os países são membros da Agência para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (OPANAL, na sigla em espanhol) e da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). Assim como o Chile, o Brasil é país garante na Mesa de Diálogos de Paz entre o governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Ambas as partes, além do México, foram convidadas a assumirem tal posição, em novembro de 2022, juntando-se a Cuba, à Venezuela e à Noruega. Ambos lideram, com a Colômbia, a Plataforma Tributária para a América Latina e o Caribe. O Brasil apoia o Processo Cartagena+40, liderado pelo Chile.
Convergências Plurilaterais: A convergência em foros internacionais se verifica na participação no G77+China, no âmbito das Nações Unidas (ONU), no Multi-Party Interim Arbitration Arrangement (MPIA) e no Grupo de Cairns, no âmbito da OMC, e no apoio chileno ao ingresso brasileiro na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Durante a visita de Estado do presidente Lula em agosto de 2024, o presidente Boric anunciou a disposição chilena de aderir à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, e o mandatário brasileiro convidou seu homólogo para participar da Cúpula do G20. Durante a presidência brasileira do G20, o Chile participou de grupos de trabalho e instâncias do G20 relacionadas a empoderamento das mulheres, transição energética, comércio e investimento, agricultura, emprego, turismo e finanças sustentáveis.
Segurança e Defesa: Existe Diálogo Político-Militar no formato 2+2, cuja primeira reunião ocorreu, em 2018, em Brasília, e as demais em Santiago, em 2019, e novamente em Brasília, em 2023. Destacam-se, ainda: o Protocolo sobre Intercâmbio de Dados e Serviços de Catalogação da Defesa; a cooperação bilateral em operações na Antártida; e a atuação conjunta na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH, na sigla em inglês). Durante a visita de Estado do presidente Lula, em agosto de 2024, foi assinado memorando de entendimento sobre segurança cibernética.
Comércio
Marcos: Atualmente o Chile é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul e o oitavo maior destino de exportações em todo o mundo, com superávits para o Brasil desde 2010. O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Chile em todo o mundo. O Chile é associado ao MERCOSUL desde 1996 por meio do ACE-35, que liberalizou o comércio entre os dois países, no âmbito da ALADI. Em 2015, assinou-se Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI). Em 2018, MERCOSUL e AP adotaram o Plano de Ação de Puerto Vallarta. Também em 2018, foi assinado acordo de livre comércio com o Brasil sobre temas de natureza não tarifária, que incorpora acordos recentes entre os dois países, como o Protocolo de Compras Públicas e o Protocolo de Investimentos em Instituições Financeiras – o acordo entrou em vigor internacional em janeiro de 2022. A 1ª Reunião da Comissão Administradora do Acordo de Livre Comércio Brasil-Chile foi realizada em Santiago, em novembro de 2023. Em fevereiro de 2023, foi ampliado o acesso ao mercado de carne bovina no Chile, tendo o país reconhecido o Rio Grande do Sul como zona livre de febre aftosa sem vacinação, após gestões do Itamaraty. Em março, houve abertura do mercado chileno para o mamão produzido no Brasil. Em maio, os dois países assinaram, no âmbito do Acordo de Livre Comércio entre os dois países, acordo de cooperação para adoção do sistema de pre-listing para habilitação de estabelecimentos exportadores de carnes (bovina, suína, ovina e de aves). Em outubro, Brasil e Chile concluíram os procedimentos referentes à abertura do mercado chileno ao mamão fresco para consumo, após a revisão de certificados e auditorias in loco que subsidiaram a análise e o estabelecimento de requisitos fitossanitários. Em dezembro, houve o reconhecimento, por parte das autoridades chilenas, da equivalência de sistemas de inspeção sanitária (pre-listing) para as exportações brasileiras de ovos. Em 2024, foram concluídas as negociações de atualização do Regime de Origem entre o MERCOSUL e o Chile no marco do ACE-35, iniciadas em 2021. Durante a visita do Estado do presidente Lula, em agosto de 2024, foi celebrada a conclusão técnica das negociações da iniciativa facilitadora de comércio para o setor de produtos cosméticos. Em outubro de 2024, foi realizada, em Brasília, a 2ª Reunião da Comissão Administradora do Acordo de Livre Comércio Brasil-Chile. Em dezembro, foi aberto o mercado do Chile para abacate Hass do Brasil, como prenunciado na visita de Lula.






Investimentos: O Brasil concentra o maior estoque de investimentos externos chilenos no mundo, hoje superior a US$ 35 bilhões, com as empresas chilenas atuando em áreas distintas, como varejo, energia, aviação e papel e celulose; na outra direção, o Brasil, que é o maior investidor latino-americano no Chile, tem mais de US$ 4,5 bilhões investidos na economia chilena, em setores como energia, serviços financeiros, alimentos, mineração, siderurgia, construção e fármacos. Os presidentes Lula e Boric participaram do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Chile, em Santiago, em agosto, que contou com cerca de 500 empresários e o anúncio de R$ 82 bilhões de investimentos no Brasil e no Chile por parte das empresas.